Instituto de Informática da UFG inaugura Banco Vermelho e reforça compromisso com a promoção de um ambiente seguro e inclusivo
Iniciativa nacional trata da conscientização sobre violência contra a mulher
Texto: Izadora Araújo
Quem chega ao Instituto de Informática da Universidade Federal de Goiás (INF/UFG), percebe que algo novo compõe o cenário. Um banco vermelho, posicionado ao lado direto da entrada principal do prédio, marca o compromisso da unidade com a conscientização, prevenção e enfrentamento da violência contra a mulher.
Ao andar pelos corredores do instituto, é possível perceber como o público masculino ainda é maioria nos quatro cursos da unidade. Tendo em vista este fato e diante do aumento dos casos de feminicídio e violência contra a mulher no Brasil, o INF/UFG aderiu à campanha do Banco Vermelho para reafirmar seu posicionamento de enfrentamento da problemática.

A professora Elisângela Silva Dias, docente do INF/UFG que atua ativamente na integração feminina na área da computação, abriu a programação e chamou a atenção do público em uma fala emocionante, ao afirmar que acontecimentos que atentam contra a vida das mulheres ocorrem todos os dias e não estão distantes da realidade da maioria das pessoas.
Sérgio Carvalho, diretor do instituto, abordou o senso de urgência que há em criar estratégias dentro da própria instituição. “Essa situação que a gente está vivendo é absolutamente absurda, absolutamente inadmissível. Não há outras palavras que possam ser ditas. Eu queria palavras mais intensas. Ou seja, o quanto isso é absurdo. Cotidianamente, nós estamos vivendo situações, seja nos reportando aqui pela mídia em geral, ou pelas notícias, ou seja em situações muito próximas de nós mesmos, aqui na universidade”, afirma.

Logo em seguida, a palestra da Superintendente de Inovação e Transformação Digital da Prefeitura de Goiânia, Christianne Pereira Cardoso Pimenta, apresentou dados atualizados e análises sobre a violência contra a mulher, destacando a relevância de ações institucionais e educativas.
Ao apontar as estatísticas, a palestrante afirmou que 1 em cada 5 mulheres sofre violência ao longo da vida e posiciona Goiás como um estado em que culturalmente esta prática é recorrente, trazendo dados que comprovam que 47,1% das mortes de mulheres são feminicídios, ocorrendo em grande parte (80% dos casos) dentro do próprio convívio familiar da vítima.

Além do aumento de pedidos de medidas protetivas, o estado registra entre 50 a 70 feminicídios por ano e para Christianne, a não sistematização dos dados revela um problema estrutural que pode ser amenizado preventivamente com integração efetiva de tecnologia com a estruturação desses dados, a automatização de fluxos, integração de sistemas e a ampliação de acesso aos serviços que atuam para a proteção da mulher.
Christianne citou como iniciativa de sucesso a execução do Hackathon Go Uai Tech 3, um evento de tecnologia pensado para desenvolver soluções aos desafios do universo feminino. Dentre alguns exemplos de soluções estão o acompanhamento de vítimas, a prevenção do agravamento dos casos e o acesso a dados em tempo real.
Na sequência, foi realizado um sorteio promovido pelo Projeto ADAs, iniciativa vinculada ao Instituto de Informática que tem como objetivo fomentar a participação feminina nas áreas da Computação. O projeto busca contribuir para a construção de um ambiente mais acolhedor para as estudantes, promovendo apoio, pertencimento e o fortalecimento do protagonismo feminino em um contexto historicamente marcado pela predominância masculina.
Ao final da programação, a comunidade acadêmica participou da inauguração do Banco Vermelho, instalado na recepção do instituto. O espaço passa a integrar o ambiente institucional como um símbolo permanente de sensibilização e de compromisso com a equidade de gênero e a proteção das mulheres.
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